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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Tristissima

portugués

N'um paiz longe, secreto,
Lendaria ilha affastada,
Jaz todo o dia sentada
N'um throno de marmor preto.

No seu palacio esculpido
Não entram constellações;
Os tectos dos seus sallões
São todos d'ouro polido!

Nas largas escadarias
Sobem vassallos ao cento,
De noute suluça o vento
N'aquellas tapeçarias.

E pelas largas janellas
Fechadas, sempre corridas,
Ha flores desconhecidas
Que não olham as estrellas.

Na dextra segura um calix,
—Calix da Dôr e da Magoa!
Onde está contida a agoa
E o sangue dos nossos males!

Pelas florestas sosinhas
Escuras, sem rouxinoes,
Erram chorando os Heroes,
E as desgraçadas Rainhas.

Seguida, á noute, de servas,
Caminha, em cortejo mudo,
Rojando o negro velludo
De seu cabello nas hervas.

Sómente ao vel-a passar
Ficam as almas surprezas;
—Ha todo um mar de tristezas
No abismo do seu olhar!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Tristissima
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-tristissima--antonio-gomes-leal-04a773
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Tristissima», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-tristissima--antonio-gomes-leal-04a773.html

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