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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Soneto d'um poeta morto

portugués

Achado nos seus papeis

Bem sei que hei de morrer cedo e cansado,
Alguma cousa triste em mim o diz,
E vagarei no mundo desterrado,
Como Dante chorando a Beatriz.

Pelos reinos, irei talvez curvado,
Como um proscripto princepe infeliz,
Ou como o indio pallido e exilado
Chorando o vivo azul do seu payz.

Mas no entanto, ah! ninguem ao Sol divino
Abrasou mais as azas, derretidas
Ante as duras, ferozes multidões!

E ninguem teve a torre d'ouro fino,
Aonde, quaes princezas perseguidas,
Morreram minhas doudas illusões!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
António Gomes Leal
Título
Soneto d'um poeta morto
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-soneto-d-um-poeta-morto--antonio-gomes-leal-ecae16
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Soneto d'um poeta morto», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-soneto-d-um-poeta-morto--antonio-gomes-leal-ecae16.html

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