Um graõ doutor da Lei dizia ao publicano,
Junto ao atrio do templo, em tempos da Judea,
Tambem tu vens orar, publicano sereia,
A tua casa ardeu, ou deu na vinha o damno?
Jejuas tu agora e resas todo o anno,
Tu que levas o pobre e o orphão á cadeia,
Que tiras á viuvez o pão, o leito, e a teia,
Tu que és avaro e vil, pagão como um Romano?!
Que não resas como eu, que nunca vi desfeito
Dos compridos jejuns, nem macerar o peito;
E que hospedas Satan, como o antigo Saul!
Não vês como estou sempre erguendo ao Ceu os braços?
—O publicano então, disse, olhando os espaços:
«Tambem os poços são voltados para o Azul!»