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Acúrcio Correia da Silva · Vanguardias / s. XX

O boémio

portugués

Cái sobre as coisas um luar de prata,
Luar bemdito, que enlanguesce, enleia...
Vem ao longe uma airáda serenáta,
Soluçando uma antiga melopeia...

Lá vem o tocadôr. É um vádio,
De guitarra chorosa ao tiracólo...
Passa as noites cantando pelo frio
Cantigas de saudade e desconsolo...

É um boémio, dos parias desgraçados,
De olhos profundos, vagos, erradíos
Que vivem a cantar pelos eirados,
E morrem afogados pelos rios...

É déssa raça antiga, vagabunda,
Que atravessava todas as nações
Composta de uma incrivel barafunda
De cómicos, mendigos e ladrões...

Ei-lo,—o rebento déssas raças mortas,
(Esparge-se o luar na solidão...)
Cantarolando á lua, pelas portas,
Cantigas de saudade e de paixão...

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
Acúrcio Correia da Silva
Título
O boémio
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-boemio--acurcio-correia-da-silva-891879
Cita recomendada
Acúrcio Correia da Silva, «O boémio», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-boemio--acurcio-correia-da-silva-891879.html

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