Era assim, tinha esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar,
Corava da mesma côr,
Aquella visão que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.
Toda assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por toda ella descia
Como um veo que lhe involvia,
Que lhe adoçava a belleza.
Era assim; o seu fallar,
Ingenuo e quasi vulgar,
Tinha o podêr da razão
Que penetra, não seduz:
Não era fogo, era luz
Que mandava ao coração.
Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como boninas,
Singelas sem ser agrestes.
Mas não es tu... ai! não es:
Toda a illusão se desfez.
Não es aquella que eu vi,
Não es a mesma visão,
Que essa tinha coração,
Tinha, que eu bem lh’o senti.