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Almeida Garrett · Romanticismo

Não es tu

portugués

Era assim, tinha esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar,
Corava da mesma côr,
Aquella visão que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.

Toda assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por toda ella descia
Como um veo que lhe involvia,
Que lhe adoçava a belleza.

Era assim; o seu fallar,
Ingenuo e quasi vulgar,
Tinha o podêr da razão
Que penetra, não seduz:
Não era fogo, era luz
Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como boninas,
Singelas sem ser agrestes.

Mas não es tu... ai! não es:
Toda a illusão se desfez.
Não es aquella que eu vi,
Não es a mesma visão,
Que essa tinha coração,
Tinha, que eu bem lh’o senti.

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Autor
Almeida Garrett
Título
Não es tu
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-nao-es-tu--almeida-garrett-21e721
Cita recomendada
Almeida Garrett, «Não es tu», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-nao-es-tu--almeida-garrett-21e721.html

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