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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Idyllio triste

portugués

(A Léon de La vega)

Olha! sinto-me exhausto
Pomba da minha vida!
Eu serei o teu Fausto,
Sê minha Margarida!

Deixa que o alegre ria
Alma que me estremeces!
Que ruja fóra a orgia
Os prantos, as kermesses!

Vamos a colher rosas,
Rola dos meus carinhos!
Pelos brancos caminhos
Nas noutes luminosas!

Sob esta curva azul
Amemos, bem amada!
Na torre levantada
Que gema o rei de Thule!

Que o mundo chore e gema
Em quanto o Tempo dura!
Da nossa noute escura
Façamos um poema!

Deixa na roca os linhos
Pomba dos meus amores!
E aos sabios e aos doutores
Os livros e os cadinhos!

E aos tristes, aos ascetas
As grutas, os cilicios,
E a esponja dos supplicios
Aos labios dos poetas!

Nas noutes estrelladas,
Amemos solitarios!
Deixemos as estradas
Que levam aos Calvarios!

Olha! sinto-me exhausto
Pomba da minha vida!
Eu serei o teu Fausto,
Sê minha Margarida!

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Idyllio triste
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-idyllio-triste--antonio-gomes-leal-05ea0c
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Idyllio triste», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-idyllio-triste--antonio-gomes-leal-05ea0c.html

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