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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Idylio meridional

portugués

Sem ti, vejo o meu futuro
Um horto cheio d'abrolhos!—
Ah não me deixem teus olhos
Por este caminho escuro!

No inverno, as candidas aves
Abandonam os pombaes,
Meu bem, teus olhos suaves
Não me desterrem jámais!

Quando á tarde o ceu flameja,
Junto de ti encostado,
Que vezes, não tenho inveja
Da agulha do teu bordado!

Eu quizera a toda a hora
Cantar-te, ó sol os meus dias!
Como os sonetos que á Aurora
Enviam as cotovias.

Ó labios que pedem beijos!
Ó brancas mãos delicadas!
Voam a vós meus desejos
Quaes pombas ensanguentadas!..

Ó rival das açucenas!
Nenhum punhal faz no peito
As chagas que me tem feito
Essas tuas mãos pequenas!

E, comtudo o amor só dura
Entre as lagrimas da magoa,
—Como uma violeta escura
Que se morre á mingoa de agoa!

Um horto todo d'abrolhos
Sem ti será meu futuro!—
Ah! não me larguem teus olhos
Por este caminho escuro!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Idylio meridional
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-idylio-meridional--antonio-gomes-leal-2950b5
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Idylio meridional», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-idylio-meridional--antonio-gomes-leal-2950b5.html

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