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PoetósferaLa BibliotecaAntónio Gomes Leal

António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

As aldeias

portugués

Eu gosto das aldeias socegadas,
Com seu aspecto calmo e pastoril,
Erguidas nas collinas azuladas—
Mais frescas que as manhãs finas d'Abril.

Levanta a alma ás cousas visionarias
A doce paz das suas eminencias,
E apraz-nos, pelas ruas solitarias,
Ver crescer as inuteis florescencias.

Pelas tardes das eiras—como eu gosto
Sentir a sua vida activa e sã!
Vel-as na luz dolente do sol posto,
E nas suaves tintas da manhã!

As creanças do campo, ao amoroso
Calor do dia, folgam seminuas;
E exala-se um sabor mysterioso
D'a agreste solidão das suas ruas!

Alegram as paysagens as creanças,
Mais cheias de murmurios do que um ninho,
E elevam-nos ás cousas simples, mansas,
Ao fundo, as brancas velas d'um moinho.

Pelas noutes d'estio ouvem-se os rallos
Zunirem suas notas sibilantes,
E mistura-se o uivar dos cães distantes
Com o canto metallico dos gallos...

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
As aldeias
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-as-aldeias--antonio-gomes-leal-3d98f2
Cita recomendada
António Gomes Leal, «As aldeias», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-as-aldeias--antonio-gomes-leal-3d98f2.html

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