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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Aranha

portugués

N'um sonoro theatro antigo da Alemanha,
D'um violino aos ais, banhada de luz viva,
Surgia d'um covil uma grotesca aranha,
Dos banquetes do Som habitual conviva.

O ser sombrio e obscuro, ó meu amor! não priva
Da adoração do Bello, a adoração extranha!
E assim se embriagava a escura pensativa
Da lyrica emoção que nossa alma banha!

Mataram-a uma vez. Não mais a pobre amante
Da Musica, surgiu áquella luz brilhante;
Foi-lhe o velho theatro a sua sepultura...

Assim preso tambem pela attracção que choro,
—Não te rias cruel! Ó idolo que imploro!...
Tu és o Violino e eu sou a aranha escura!...

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Aranha
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-aranha--antonio-gomes-leal-3f6ba4
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Aranha», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-aranha--antonio-gomes-leal-3f6ba4.html

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