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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

*A um lyrio* (A. A.)

portugués

Conta como é que existe
A tua vida á luz,
Lyrio mais casto e triste
Que os olhos de Jesus!

Quando nasceste, flor?
Quem te arrancou do chão?
Gérou-te occulto amor
De morto coração?

Ó lyrio delicado!
Ó lyrio branco e fino!
Talvez fosses creado
N'um seio femenino!

Escuta ó lyrio amado!
A flor confunde os sabios...
Talvez fosses os labios
D'aquella que hei amado!...

Talvez fosses seus dedos!
Seus olhos innocentes...
—Conta-me os grãos segredos...
Profundos das sementes!...

O morto que se enterra
Leva as paixões secretas?...
Dize, se sob a terra,
Se amam as violetas!

Ouviste aves chorosas,
E o mar nos seus delirios?
—Quem é que pinta as rosas?
—Quem é que veste os lyrios?

Já viste alguma estrella?
Viste uma lua nova!
—Abriste n'uma cella?
—Floriste n'uma cova?

O que é que mais desejas
De tudo quanto existe?
O amor?—O que é que invejas
Bom lyrio branco e triste?!

Ó vil sorte mesquinha!
E eterno desejar!
—Invejas a andorinha
Que vôa pelo ar!?

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Por su autor
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Dónde vive
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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
*A um lyrio* (A. A.)
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-um-lyrio-a-a--antonio-gomes-leal-011a67
Cita recomendada
António Gomes Leal, «*A um lyrio* (A. A.)», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-um-lyrio-a-a--antonio-gomes-leal-011a67.html

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