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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

A bella flor azul

portugués

Eu não sou o fatal e triste Baudelaire;
Mas analyso o Sol e decomponho as rosas,
As rijas e crueis dahlias gloriosas,
—E o lyrio que parece o seio da mulher.—

Tudo que existe ou foi, morre para nascer;
Na campa dão-se bem as plantas graciosas,
E, um dia, na floresta harmonica das Cousas,
Quem sabe o que serei quando deixar de ser!

A Morte sae da Vida—a Vida que é um sonho!
A flor da podridão, o Bello do medonho
E a todos cubrirá o mystico cypreste!...

E, ó minha Sphinge, a flor pallida e azul no meio,
Que hontem tinhas no baile, e que trouxeste ao seio
Levantei-a d'um chão onde passára a Peste.

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Autor
António Gomes Leal
Título
A bella flor azul
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-bella-flor-azul--antonio-gomes-leal-b6b2aa
Cita recomendada
António Gomes Leal, «A bella flor azul», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-bella-flor-azul--antonio-gomes-leal-b6b2aa.html

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