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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

A aguia

portugués

No tempo em que era a grande deusa viva
Os deuzes, os heroes e as Musas bellas,
Dizia uma aguia velha e pensativa,
Que fizera a viagem das estrellas:

—Vão-se indo as tradições! e hão-de ir com ellas
Apollo, Jove, Vichnou e Siva!
Um astro é grão de luz; o mar saliva
De ti ó grande Pan!... Só Pan tu vellas!...

Mas quando assim fallava a aguia, eis quando
Se ouviu aquella voz triste bradando
Na Sicilia: Morreu o grande Pan!

Epheso estremeceu, carpiu Eleusis;—
Mas a aguia velha gargalhou:—Ó deuses!
Qual será o deus novo de ámanhã!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
António Gomes Leal
Título
A aguia
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-aguia--antonio-gomes-leal-3902f7
Cita recomendada
António Gomes Leal, «A aguia», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-aguia--antonio-gomes-leal-3902f7.html

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