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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Um blasé

portugués

(A S. Nazareth)

Olhando o mundo assim com ar d'enfado,
Casaco abotoado e de luneta,
Caminha com ar grave no Chiado,
Com ar de quem achou algum planeta.

Dizem que nutre uma paixão secreta
Este Musset dos homens ignorado,
E pulsa um coração esphacelado,
Ali debaixo da casaca preta.

A todos diz ha muito andar blasé...
E falla em vasar copos d'absyntho,
Como quem bebe orchata ou capilé!...

Mas, Bacho! ó ceus! perdoem-me se minto!
Referem que uma noute, n'um café,
Acharam-o a libar do... vinho tinto!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Um blasé
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-um-blase--antonio-gomes-leal-b35989
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Um blasé», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-um-blase--antonio-gomes-leal-b35989.html

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