Corôa de espinhos
Das trevas d'alem-mundo o esposo amado,
Rainha, é Rei comvosco! Inda reinaes,
Que o vosso throno assenta em pedestaes
Dos corações que tendes conquistado.
Mas que delicias tem esse reinado?!
Senhora, alguma vez não invejaes
Os remançosos dias sempre iguaes,
D'um doce egoismo calmo e recatado?
Reinar!... reinar chorando a cada hora!
O vendaval da dôr que ruge fóra
E a propria dôr!... Chimeras dolorosas!
Ha tanto abysmo em flóridos caminhos...
O diadema de Christo era de espinhos!...
Sagradas sois, corôas tormentosas!