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Raimundo António de Bulhão Pato · Modernismo

Pois ser pallida é defeito?

portugués

Pois ser pallida é defeito?
E de todo o coração,
Diz, pondo a mão sobre o peito,
Que um rostosinho desfeito
Não pode inspirar paixão?

Ora diga: a rosa é bella
Quando o sol lhe accende a cor,
É bella sim, mas ao vel-a
Desmaiar n'haste singela
Não lhe inspira mais amor?

Viçosa, fresca, orvalhada,
De manhã é toda luz;
Mas á tarde desmaiada,
Co'a pallidez namorada,
Oh! quanto mais nos seduz!

Está convencida vejo,
Deveras não, inda não?
Pois se é todo o seu desejo
Ser corada, dê-me um beijo,
E verá se cora ou não!

Porque esconde o rosto lindo?
Santo Deus! descubra-o já!
Aposto que vai sentindo
Um certo rubor subindo...
Ai! como corada está!

Neste espelho, olhe-se agora,
Veja bem que linda cor;
Quando nasce a fresca aurora,
A luz que a face lhe cora,
Não tem mais vivo fulgor.

Sorri-se a furto, bem vejo,
Occulta o rosto na mão:
Pois vamos, agora um beijo,
Quem cumpriu o seu desejo,
Não merece, diga, não?

Junho de 1852.

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La Biblioteca

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Autor
Raimundo António de Bulhão Pato
Título
Pois ser pallida é defeito?
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-pois-ser-pallida-e-defeito--raimundo-antonio-de-bulhao-p-1f243c
Cita recomendada
Raimundo António de Bulhão Pato, «Pois ser pallida é defeito?», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-pois-ser-pallida-e-defeito--raimundo-antonio-de-bulhao-p-1f243c.html

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