Elles tristes, das praias do destêrro,
Os olhos longos e arrazados de agua
Estendem para aqui... Cravado o ferro
Da saudade têem n’alma; e é negra mágua
A que lhes ralla os corações afflictos,
É a maior da vida—são proscrittos.
Dor como outra não ha, é a dor que os matta!
Dizer eu: ‘Essa terra é minha... minha,
Que nasci n’ella, que a servi, a ingrata!
Que lhe dei... dei por ella quanto tinha,
Sangue, vida, saude, os bens da sorte...
E ella, por galardão, me intrega á morte!’
Morte lenta e cruel—a de Ugolino!
Bem lhes quizeram dar...
Mas não será assim: sôpro divino
De bondade e nobreza
Não o póde apagar
Nos corações da gente portugueza
Esse rancor de fera
Que em almas negras, negro e vil impera.
Tu, genio da Harmonia,
Tu sólta a voz em que triumpha a glória,
Com que suspira amor!
Bella d’enthusiasmo e de fervor,
Ergue-te, ó Rossi, tua voz nos guia:
A tua voz divina
Hoje um echo immortal deixa na historia.
Inda no mar d’Egina
Soa o hymno d’Alceu;
E atravessaram seculos
Os cantos de Tyrtheu.
Mais poderosa e válida
A tua voz será;
A tua voz etherea,
Tua voz não morrerá.
Nós no templo da patria pendurâmos
Ésta c’roa singela
Que de myrtho e de rosas intrançâmos
Para essa fronte bella:
Aqui, de voto, ficará pendente,
E um culto de saudade
Aqui, perennemente,
Lhe daremos no altar da Liberdade.