Crianças—olhái-as—perto,
Desmaiaditas a rir...
Nos olhos um ceu aberto,
Nos labios rosas a abrir...
Não têm mãe, não teem lume.
Sua lareira é o caminho,
—Como ninhadita implume,
Morta a mãe longe do ninho.
Crianças que não tem lar
Onde o carinho reluz
Nunca aprenderão a amar,
—São como as rosas sem luz...
Oiço dizer que as crianças
(Anjos de olhar manso e puro...)
São chilreantes esp'ranças
Dum deslumbrante futuro...
Mas estas, que a rua cria,
Magrizélas, definhadas,
—Quem me assegura que um dia
Não hão-de ser desgraçadas?
Crianças órfans, sem mãe,
Já nascem com sua cruz,
Como nasceu em Belem
O Deus Menino, Jesus...
—«São rosas a abrir mimosas
As criancinhas...»—Pois sim!
Só se nós chamarmos rosas
Ás florinhas do alecrim...