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PoetósferaLa BibliotecaRaimundo António de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Modernismo

Num album

portugués

Não vês tu como inconstante
Num instante,
Ruge o sul, e turba o ceo,
E que o mar, quedo, azulado,
Brame irado,
Sacudindo alto escarceo?

Não tens visto na manhã,
Flor louçã,
Junto ás aguas rebentar,
E á tarde, murcha, pendida,
Já sem vida,
Sem perfume, a desfolhar?

Pois então queres, amiga,
Que eu te diga
Que o amor não é assim?
Quando tudo empallidece,
Se emmurchece,
Se desbota, e morre emfim?!

Essas illusões doiradas,
Encantadas,
Do primeiro albor da vida,
São como a rosa louçã,
Da manhã,
Á tarde n'haste pendida;

São como o ceo azulado,
Que doirado
Pelo sol de ameno dia,
Se escurece de repente
Tristemente
Por uma nuvem sombria!

E tu não queres, amiga,
Que eu te diga
Que o amor não é assim?
Quando tudo empallidece,
Se emmurchece,
Se desbota, e morre emfim?!

Agosto de 1848.

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Autor
Raimundo António de Bulhão Pato
Título
Num album
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-num-album--raimundo-antonio-de-bulhao-p-b89794
Cita recomendada
Raimundo António de Bulhão Pato, «Num album», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-num-album--raimundo-antonio-de-bulhao-p-b89794.html

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