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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra IV

portugués

Já, já me vai, Marilia, branquejando
Loiro cabello, que circúla a testa.
Este mesmo, que alveja, vai cahindo,
E pouco já me resta.

As faces vão perdendo as vivas côres,
E vão-se sobre os ossos enrugando,
Vai fugindo a viveza dos meus olhos;
Tudo se vai mudando.

Se quero levantar-me, as costas vergão;
As forças dos meus membros já se gastão,
Vou a dar pela casa huns curtos passos,
Pesão-me os pés, e arrastão.

Se algum dia me vires desta sorte,
Vê que assim me não pôz a mão dos annos:
Os trabalhos, Marilia, os sentimentos,
Fazem os meus danos.

Mal te vir me dará em poucos dias,
A minha mocidade o doce gosto;
Verás burnir-se a pelle, o corpo encher-se,
Voltar a côr ao rosto.

No calmoso Verão as plantas seccão,
Na Primavera, que aos mortaes encanta,
Apenas cahe do Ceo o fresco orvalho,
Verdeja logo a planta.

A doença deforma a quem padece;
Mas logo que a doença fez seu termo,
Torna, Marilia, a ser quem era d'antes,
O definhado enfermo.

Suppo[~e]-me qual doente, ou qual a planta,
No meio da desgraça, que me altera:
Eu tambem te supponho qual saude,
Ou qual a Primavera.

Se dão esses teus meigos, vivos olhos
Aos mesmos Astros luz, e vida ás flores;
Que effeitos não farão, em quem por elles
Sempre morrêo de amores?

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra IV
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-iv--tomas-antonio-gonzaga-a1cbed
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra IV», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-iv--tomas-antonio-gonzaga-a1cbed.html

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