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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra IV

portugués

Amor por acaso
A hum pouso chegava,
Aonde accolhida
A Morte se achava.

Risonhos, e alegres
Os braços se dérão,
E as armas unidas
N'um sitio pozerão.

De emprezas tamanhas
Cansados já vinhão,
E em larga conversa
A noite entretinhão.

Hum conta que ha pouco
A seta aguçada
Em huma belleza
Deixára empregada.

Diz outro que as flexas
Cravára no peito
De hum grande, que teve
O Mundo sujeito.

Em quanto das forças
Cada hum persumia,
Seus membros já laços
O somno rendia.

Dormindo tranquillos
A noite passárão,
E inda antes da Aurora
Com ancia acordárão.

He tempo que o leito
Deixemos, ó Morte;
Amor, já erguido
Fallou desta sorte.

He tempo, em resposta
A morte repete,
Que á nossa fadiga
Dormir não compete.

As armas colhamos,
Voltemos ao giro:
Cada hum a seu gosto
Empregue o seu tiro.

Vão inda c'os olhos
Em somno turbados,
Ao sitio em que os ferros
Estão pendurados.

Amor para as setas
Da morte se enclina:
De amor logo a Morte
C'o as flexas atina.

Oh golpes tyrannos!
Oh mãos homicidas!
São tiros da Morte
De Amor as feridas.

De hum sonho, que pinto,
Marilia conhece,
Se amor, ou se morte
Este alma padece.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra IV
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-iv--tomas-antonio-gonzaga-634ec7
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra IV», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-iv--tomas-antonio-gonzaga-634ec7.html

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