Senhor Fontes Pereira de Mello,
Que sois Pitt, e pitada tambem,
Já que tudo metteis n'um chinelo
A cantar-vos a banza aqui vem!
Senhor Fontes! Sois de Lysia
O que ninguem inda foi!
Quem dissera que tão perto
D'um Sangrado existe um heroi!
Longo tempo o cultor da batata,
Senhor Pitt, por vós suspirou.
As abob'ras meninas murcharam,
E a mesquinha cebola grelou!
Mas creaste um ministerio
D'agricultura, ó portento!
Era um gosto vêr o grêlo
Sob o imperio do Fomento!
E o repôlho, a cinôra, o coentro
Espontaneos brotavam nos montes;
E nas folhas da côve tronxuda
Viu-se escripto: «Gloria ao Sôr Fontes!»
Senhor Fontes! vosso nome
Pelas hortas se dilata!
Como o Cesar é na Fabia,
Sois salvador da batata!
Carangueijos os lusos viviam
Desterrados n'um solo infeliz!..
E, comvosco, quebrar inda esperam
Nos caminhos de ferro o nariz.
Senhor Fontes! este povo
Vossa gloria proclama,
Quando viaja enterrado
Té ao pescoço na lama.
Era triste esse tempo d'outr'ora
Em que um homem quebrava um quadril,
Nessas quinas d'estrada de pedra
Onde agora fumega um carril!
Á vista disto, Sôr Fontes,
(Á parte censuras tolas)
O paiz quer-vos na fronte
Uma restea de cebolas.
Quando o Porto vos deu quatro patos,
E de forno o arroz competente,
Quiz mostrar-vos que a gloria é um sonho,
Quando o ventre não anda contente.
E comestes, senhor Fontes,
E fizestes muito bem;
Colbert, Necker, e Pitt
Comiam patos tambem.
Quem nas polkas mostrou mais donaire?
Quem nas walsas mais quebra a cintura?
Quem melhor joga a tibia flexivel?
Quem compete comvosco em tesura?
Senhor Fontes, dous instinctos
A natura em vós relata;
A não serdes o Fomento,
Devieis ser acrobata.
Beatus venter qui te portavit,
Diz a patria na sua expansão!
Desde o Vistula ao Douro retumbam
Algazarras de rouca ovação!
Gloria, gloria ao rasgado
Fomentador immortal!
Modelo dos bons bigodes,
Permanente carnaval!