CADA PIEZA VIVE EN UNA DIRECCIÓN · NADA VIVE EN UNA SOLA SALA  

PoetósferaLa BibliotecaAntónio Gomes Leal

António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Falstaff moderno

portugués

In vino veritas

Quando eu morrer, ninguem lerá no craneo
Se eu fui mouro ou judeu,
Se presava o cognac ou o Madeira,
Que soffrer foi o meu!

Ninguem dirá se era trigueiro ou louro,
Se eu fui Pope ou Camões,
E os sabios não dirão, coçando a calva,
A côr dos meus calções.

Não saberão dizer se foi a pipa
O hotel em que vivi,
E se fazia sol ou aguaceiros
No dia em que nasci.

Se, apoz a douda orgia, o meu enterro
Pela manhã, sair,
Tu virás á janella bocejando,
E em coifa de dormir.

E não conseguirás verter um pranto
Do terno teu setim,
Em quanto os gordos padres irão lentos,
Ressonando em latim!

Os annos jogarão com os mais craneos
E o meu magro esqueleto
Uma especie de jogo das caveiras
Dos coveiros d'Hamleto!

Ninguem, mulher, dirá que funda magoa
Minou meu coração!
E eu mandarei pôr, por epitaphio!
—Maldita indigestão!—

Mas que ideas tão negras! O que importa
Rôa a terra mais um!
Depois da morte! o nada. Ó minhas lagrimas
Não me estragueis o rhum!

Sigue explorando

Por su autor
António Gomes Leal · 105 piezas más en la casa
Dónde vive
La Biblioteca

← Em viagemFarça triste →

Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Falstaff moderno
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-falstaff-moderno--antonio-gomes-leal-465637
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Falstaff moderno», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-falstaff-moderno--antonio-gomes-leal-465637.html

Las obras de dominio público se reproducen íntegras, con atribución y en la ortografía de su impreso. ¿Ves una errata o conoces una fuente mejor? Escríbenos desde Sobre la casa.