Cedendo á furia de Neptuno irado
Sossobra a nau que o gran’thesoiro incerra;
Lucta co’a morte na espumosa serra
O divino cantor do Gama ousado.
Ai do canto mimoso a Lysia dado!...
Camões, grande Camões, embalde a terra
Teu braço forte, nadador afferra
Se o canto lá ficou no mar salgado.
Chorae, Lusos, chorae! Tu morre, ó Gama,
Foi-se a tua glória... Não; lá vai rompendo
Co’a dextra o mar, na sestra a lusa fama.
Eterno, eterno ficará vivendo:
E a torpe inveja, que inda agora brama,
No abysmo cahirá do Averno horrendo.
Angra—1815.