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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Aos vencedores

portugués

Visto que tudo passa e as épicas memorias
Dos fortes, dos heroes, se vão cada vez mais,
Que tudo é luto e pó! ó vós que triumphaes
Não turbeis a razão nos vinhos das vãas glorias!

Não ergais alto a taça, á hora dos gemidos,
Esquecidos talvez nos gosos, nos regallos;
E não façaes jámais pastar vossos cavallos
Na herva que cobrir os ossos dos vencidos!

Não celebreis jámais as festas dos noivados,
Não encontreis na volta os lugubres cortejos!
—E se amardes, olhae que ao som dos vossos beijos
Não respondam da praça os ais dos fusilados!

Sim!—se venceste emfim, folgae todas as horas,
Mas deixae lastimar-se os orphãos, as amantes,
Nem façaes, junto a nós, altivos, triumphantes,
Pelas ruas demais tinir vossas esporas!

Pois toda a gloria é pó! toda a fortuna vã!—
—E nós lassos emfim dos prantos dolorosos,
Regámos já demais a terra—ó gloriosos
Vencedores! talvez,—vencidos d'amanhã!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Aos vencedores
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-aos-vencedores--antonio-gomes-leal-375a45
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Aos vencedores», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-aos-vencedores--antonio-gomes-leal-375a45.html

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