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PoetósferaLa BibliotecaRaimundo António de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Modernismo

Anjo caído

portugués

Na flor da vida, formosa,
Ingenua, casta, innocente,
Eras tu no mundo, rosa!
Quem te arrojou de repente
Para o abysmo fatal!
Viste um dia o sol de abril;
O teu seio virginal
Sorriu alegre e gentil.

Ergueu-se aos clarões suaves
D'aquella doce alvorada
A tua face encantada.
Amaste o doce gorgeio
Que desprendiam as aves,
E no teu candido seio
Quanto amor, quanta illusão
Alegre pulava então!

Mal haja o fatal destino,
Maldita a sinistra mão,
Que em teu calix purpurino
Derramou fera e brutal
Esse veneno fatal.

Hoje és bella; mas teu rosto
Que outr'ora alegre sorria,
É todo melancolia!
Hoje nem sol, nem estrella,
Para ti brilha no ceo;
Mal haja quem te perdeu!

Novembro de 1857.

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
Raimundo António de Bulhão Pato
Título
Anjo caído
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-anjo-caido--raimundo-antonio-de-bulhao-p-23c0c0
Cita recomendada
Raimundo António de Bulhão Pato, «Anjo caído», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-anjo-caido--raimundo-antonio-de-bulhao-p-23c0c0.html

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