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Gregório de Matos · Barroco

A umas moças — Que costumavam ir a uma roça romance

portugués

Vamos cada dia á roça,
Si é que vai a camarada,
Que ri e folga á franceza,
E pinta á italiana.
Vamos, e fiquemos lá
Um dia ou uma semana,
Que emquanto as gaitas se tocam
Sabe a roça como gaitas.
Vamos á roça inda que
Nos fique em tantas jornadas
Cada meia sem palmilha,
E sem sola cada alparca.
Vá Mané, e vá Marcella,
Vá toda a nossa prosapia,
Excepto a que por casar
Não põe pé fóra de casa.
Case e tão casada fique,
Que nem para fazer caca
Jamais o marido a deixe,
Nem se lhe tire da ilharga.
Case, e depois de casar-se
Tanto gema, e tanto paira,
Que caia em meio das dores
Na razão das minhas pragas.
Case, e tanto se arrependa,
Como faz toda a que casa,
Que nem para descasar-se
A via da egreja saiba.
E nós vamos para a roça
Co’nosso feixe de gaitas,
Até ver-me descasada,
Para me rir de quem casa.

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La Biblioteca

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Autor
Gregório de Matos
Título
A umas moças — Que costumavam ir a uma roça romance
Lengua
portugués
Época
Barroco
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-umas-mocas-que-costumavam-ir-a-uma-roca-romanc--gregorio-de-matos-12f67a
Cita recomendada
Gregório de Matos, «A umas moças — Que costumavam ir a uma roça romance», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-umas-mocas-que-costumavam-ir-a-uma-roca-romanc--gregorio-de-matos-12f67a.html

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