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Gregório de Matos · Barroco

Á mesma Brites — Arrependida de haver casado

portugués

Vós casada e eu vingado,
Tudo o meu coração sente,
Mas a vingança presente
Mais que o aggravo passado
No aggravo já perdoado,
Pelas desculpas que daes,
Menor dor me occasionaes,
Por ser contra o meu respeito:
Que o que contra vós é feito
Força ó que me dôa mais.

Chorar vosso casamento
É sentir a minha dor:
E agora me obriga amor
Á sentir vosso tormento.
Vosso descontentamento
Do meu mal distancia encerra.
Que o meu coração não erra,
Censurando um e outro sim,
Pois de vós vai tanto á mim
Como vai do céu á terra.

A um só coração assestam
Os pezares de quem ama;
Mas os pezares da dama
A dois corações molestam:
Si duas vidas infestam
Males de que estaes sentida,
Com razão, prenda querida,
Dois prantos faço em commum,
Pela minha vida um,
E outro pela vossa vida.

Levae prudente e sagaz
Esse cargo, essa pensão,
Porque o êrro da eleição
Comsigo outros erros traz:
Si é de remedio incapaz
O êrro do casamento,
Dissimule o soffrimento
Esse êrro, porque maior
Não façam o êrro de amor
Erros do arrependimento.

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Autor
Gregório de Matos
Título
Á mesma Brites — Arrependida de haver casado
Lengua
portugués
Época
Barroco
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-mesma-brites-arrependida-de-haver-casado--gregorio-de-matos-751016
Cita recomendada
Gregório de Matos, «Á mesma Brites — Arrependida de haver casado», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-mesma-brites-arrependida-de-haver-casado--gregorio-de-matos-751016.html

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