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Ernesto Pires · Modernismo

Um verso de Camões

portugués

Não desço agora á fria sepultura,
Não roubo á morte os pavidos segredos,
Não quero desfolhar com estes dedos
Do gelo a flôr de extranha formosura.

Não vou cingir na tua fronte pura,
Cheio de horror,—o labio e os olhos quedos,—
Por entre a noite e os tristes arvoredos,
D'uma fatal grinalda a eterna alvura.

Deixa que viva assim em treva absorto,
Cadaver, caminhando, tristemente,
Em demanda do meu perdido horto.

Já que ventura amor me não consente,
Que não recorde mais meu peito morto
Erros meus; má fortuna, amor ardente.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Ernesto Pires
Título
Um verso de Camões
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-um-verso-de-camoes--ernesto-pires-cca70e
Cita recomendada
Ernesto Pires, «Um verso de Camões», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-um-verso-de-camoes--ernesto-pires-cca70e.html

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