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Urbano José de Sousa Loureiro · Modernismo

Questão do Palheiro: Coimbrões e Lisboetas — VI

portugués

Façamos a vista grossa,
p'ra não ter de esmiuçar
o que disse a grande troça
de escriptor's folhetinistas,
que no assumpto quiz fallar.
(É mais proprio «debicar».)

Para o lado o Carvalhal,
que affirmou que o suicidio
não era idéa immoral;
e defendeu o Quental
com gracinhas de funil,
jogadas do Chaga ao livro
no «Diario Mercantil».
Para o lado o proprio Chaga
com todo o seu folhetim;
vamos direitos ao Braga
a pedir-lhe as Theocracias.
Muito bem! agora sim!
Que citações e que nomes!
Que fundas philosophias!
O Braga, palavra d'honra,
vale doze livrarias!!....

Até fallou em javardo!!!....

Eu prefiro um homem d'estes
a qualquer frade bernardo.
Pois estouro no Castilho?
contam-se as bombas p'las phrases!
Ai, velhote, nunca tu
te metteras com rapazes!
Essa gente—isto é um facto!—
que não respeita o rabicho
faz de ti gatto-çapato;
o melhor é despresal-a,
como quem despresa o licho;
despresal-a... por capricho!

Ao Braga, seguiu-se... quem?
Ah! o Julio de Castilho,
que, no meu pensar, é filho
do velhote espadachim;
pois trouxe á barra um folheto
sem vir tarjado de preto!!!....
As tres paginas do fim
do bade-meco alludido
são talvez as de mais graça!
Eu ri-me como um perdido...
Não que está boa a chalaça!
mesmo boa de uma vez!

Põe o sê Julio em praça,
em portuguez e francez,
os nomes, que teem rendido
da nossa lyra ao princez
homenagens de partido.

Elle sempre ha cada maça!!...

Logar a mais um p'ra a sucia,
que chegou; é lisboeta.
P'lo nome talvez conheçam
Amaro Mendes Gaveta,
respeitavel escriptor.
Elle é muito conhecido;
traz algodão n'um ouvido,
e tem o pai ferrador.

Eis o caso!
O tal sujeito
com basofias de pimpão,
a tratar bestas afeito,
aos da questão serviu palha,
tojo e palha, e com razão.
—Desconfio que o Gaveta
se propõe a deputado
n'esta proxima eleição;
eu sei as suas idéas
a respeito da fusão.—

Mas voltando á vacca fria,
do tal Amaro direi,
que, á parte a semsaboria,
tem chiste n'alguns bocados.
É pena que entre bons versos
viessem alguns errados.

Isso porém acontece.
Quem ha 'hi que um trambulhão
n'uma descida não désse?

—Estava já p'ra fechar.—
Não fecharei sem primeiro
de um tal Carrero fallar;
de um Carrero ou de um Carreiro;
tanto não posso affirmar.

Eu cá, dos dois appellidos,
votava p'lo derradeiro.

C'est assez de divagar.

O Carrero (seja assim)
deixou-me quasi entalado;
p'ra dizer o que nos disse
antes ficasse calado:
ou fizesse á brisa, á lua,
versinhos de pé quebrado,
como fez outr'ora Ulysses,
que no mar das trapisondas,
entre outras muitas ratices,
caminhou ardendo em braza,
por cima das turvas ondas,
como nós por nossa caza.

Deu-se isto quando vivia
no cimo da cotovia.

Se acaso me dão licença,
entro na ordem do dia.

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Expediente

Autor
Urbano José de Sousa Loureiro
Título
Questão do Palheiro: Coimbrões e Lisboetas — VI
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-questao-do-palheiro-coimbroes-e-lisboetas-vi--urbano-jose-de-sousa-loureir-606c46
Cita recomendada
Urbano José de Sousa Loureiro, «Questão do Palheiro: Coimbrões e Lisboetas — VI», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-questao-do-palheiro-coimbroes-e-lisboetas-vi--urbano-jose-de-sousa-loureir-606c46.html

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