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Gregório de Matos · Barroco

Pedindo-se — A soltura de um mulato á seu senhor

portugués

Não estamos nos Ilheos,
Que é terra de meus peccados,
Mas estamos melhorados
Aqui na Madre de Deus:
E si aquelles tabaréus
Por vossa mesma verdade
Dão tão geral liberdade
Aos delinquentes da terra,
Vós c’o peccador que erra
Como usaes tal crueldade?

Um castigo tão tyranno,
Uma prisão tão severa,
Satisfaria a uma fera,
E eu cuidei que ereis humano:
Ha pouco menos de um anno
Que está esse peccador
Purgando com grande dor,
E com trabalho infinito,
Á principio o seu delicto,
E agora o de seu senhor.

E si na festividade
D’aquelle martyr frechado
Se dá á todo o culpado
Remissão e liberdade,
De Deus na Natividade,
Á que já de agora assisto,
Muito mais logar tem isto,
E com tanta mais razão
Quanto vai por medição
De São Sebastião á Christo.

Nós os abaixo assignados
Pedimos com humildade,
Ou fundados na piedade,
Ou na amizade fiados,
Que d’esses grilhões malvados
Por seu duro e infame tracto,
Solteis o prêzo malato,
Porque tem bons fiadores
Nestes vossos servidores,
De que ha de ser bom mulato.

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Expediente

Autor
Gregório de Matos
Título
Pedindo-se — A soltura de um mulato á seu senhor
Lengua
portugués
Época
Barroco
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-pedindo-se-a-soltura-de-um-mulato-a-seu-senhor--gregorio-de-matos-b2d399
Cita recomendada
Gregório de Matos, «Pedindo-se — A soltura de um mulato á seu senhor», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-pedindo-se-a-soltura-de-um-mulato-a-seu-senhor--gregorio-de-matos-b2d399.html

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