Com fragor açoitando a vaga escura,
O temporal irado, espumacento
Cavalga um perfido corcel—o vento—
Que solta gargalhadas de bravura.
Treme a terra, e com horrida figura,
Como Athlante, sacóde o turvo argento;
Nos gonzos oscillando o pavimento,
Dançam torres no assomo da loucura.
Vae o fogo alastrando o aureo manto,
As ruinas trucidam fugitivos,
Que sangrentos se abraçam convulsivos!
—O que fazer?—inquire o rei em pranto,
O ministro lhe diz com nobre espanto:
—Sepultar mortos, e cuidar dos vivos.—