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Soares de Passos · Romanticismo

O filho morto

portugués

No povo d'além da serra
Vai a noite em mais de meio,
E a pobre da mãe velava
Unindo o filhinho ao seio.

«Acorda, meu filho, acorda,
«Que esse dormir não é teu;
«É como o somno da morte
«O somno que a ti desceu.

«Tarda-me já um sorriso
«Nos teus labios de rubim;
«Acorda, meu filho, acorda,
«Sorri-te ledo p'ra mim.»

Mas o infante moribundo
Em seu regaço expirou;
E a mãe o cobriu de beijos,
E largo tempo chorou.

Em seu pequeno jazigo
Dous dias chorou tambem;
Ao terceiro o sino triste
Dobrou á morte d'alguem.

E á noite no cemiterio
Outro jazigo se via:
Era a mãe que ao pé do filho
Na sepultura dormia.

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La Biblioteca

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Expediente

Autor
Soares de Passos
Título
O filho morto
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-filho-morto--soares-de-passos-5b68e1
Cita recomendada
Soares de Passos, «O filho morto», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-filho-morto--soares-de-passos-5b68e1.html

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