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PoetósferaLa BibliotecaJoaquim de Melo Freitas

Joaquim de Melo Freitas · Vanguardias / s. XX

O cão de bordo

portugués

A cerração é densa. O pobre hiate
Sem leme desarvóra na refrega;
Penetra na escotilha a onda céga,
Alquebra-se o baixel no duro embate.

A trovoada estala, a prôa abate;
No escaler a maruja ao ceu se apéga,
Este a vida infeliz surdo lhe nega,
Que as lagrimas não bastam p'ra resgate!...

Um cão hirsuto, magro, avermelhado,
Com os olhos chorosos, flamejantes,
Que brilham como negros diamantes

Late com desespero, busca a nado,
Mergulha entre os cadaveres boiantes,
O dono encontra, e morre extenuado.

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Joaquim de Melo Freitas
Título
O cão de bordo
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-cao-de-bordo--joaquim-de-melo-freitas-9953e9
Cita recomendada
Joaquim de Melo Freitas, «O cão de bordo», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-cao-de-bordo--joaquim-de-melo-freitas-9953e9.html

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