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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra XXX

portugués

O pai das Musas,
O Pastor loiro
Deo-me, Marilia,
Para cantar-te
A lyra de oiro.

As cordas firo,
O brando vento
Teus dotes leva
Nas brancas azas
Ao firmamento.

O teu cabello
Vale hum thesoiro;
Hum só me adorna
A sabia frente
Melhor que o loiro.

Nesses teus olhos
Amor assiste;
Delles faz guerra;
Ninguem lhe foge;
Ninguem resiste.

Algumas vezes
Eu o diviso
Tão bem occulto
Nas lindas cóvas,
Que faz teu riso.

Nesses teus peitos
Tem os seus ninhos
Destros Amores,
Nelles se gerão
Os Cupidinhos.

Vences a Venus,
Quando com arte
As armas toma,
Porque mais prenda
Ao fero Marte.

Eu produzia
Estas idéas,
Quando, Marilia;
O som escuto
Das vis cadêas.

Dou hum suspiro.
Corre o meu pranto;
E inda bebendo
Lagrimas tristes,
De novo canto.

Sou da constancia
Hum vivo exemplo.
E vós, ó ferros,
Honrareis inda
De Amor o Templo.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra XXX
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-xxx--tomas-antonio-gonzaga-d773e9
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra XXX», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-xxx--tomas-antonio-gonzaga-d773e9.html

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