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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra XXII

portugués

Por morto, Marilia,
Aqui me reputo:
Mil vezes escuto
O som do arrastado,
E duro grilhão.
Mas, ah! que não treme,
Não treme de susto
O meu coração.

A chave lá sôa
Na porta segura:
Abre-se a escura,
Infame masmorra
Da minha prizão.
Mas, ah! que não treme;
Não treme de susto
O meu coração.

Eu vejo, Marilia,
A mil innocentes
Nas Cruzes pendentes,
Por falsos delictos,
Que os homens lhes dão.
Mas, ah! que não treme,
Não treme de susto
O meu coração.

Se penso que posso
Perder o gozar-te
A gloria de dar-te
Abraços honestos,
E beijos na mão.
Marilia, já treme,
Já treme de susto
O meu coração.

Repára, Marilia,
O quanto he mais forte
Ainda que a morte,
N'um peito esforçado
De amor a paixão.
Marilia, já treme,
Já treme de susto
O meu coração.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra XXII
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-xxii--tomas-antonio-gonzaga-a00e3e
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra XXII», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-xxii--tomas-antonio-gonzaga-a00e3e.html

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