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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra X

portugués

Se existe hum peito,
Que izento viva
Da chamma activa,
Que accende Amor.
Ah! não habite
Neste montado;
Fuja apressado
Do vil traidor.

Corra, que o Impio
Aqui se esconde:
Não sei aonde;
Mas sei o que vi.
Traz novas settas,
Arco robusto;
Tremi de susto;
Em vão fugi.

Eu vou mostrar-vos,
Tristes mortaes,
Quantos signaes
O Impio tem.
Oh! como he justo,
Que todo o humano
Hum tal tyranno
Conheça bem!

No corpo ainda
Menino existe:
Mas quem resiste
Ao braço seu?
Ao negro Inferno
Levou a guerra:
Vencêo a terra,
Vencêo o Ceo.

Já mais se cobrem
Seus membros bellos;
E os seus cabellos
Que lindos são!
Vendados olhos,
Que tudo alcanção,
E já mais lanção
A setta em vão.

As suas faces
São côr da neve;
E a bocca breve
Só rizos tem.
Mas, ah! respira
Negros venenos,
Que nem ao menos
Os olhos vem.

Aljava grande
Dependurada,
Sempre atacada
De bons farpões.
Fere com estas
Agudas lanças,
Pombinhas mansas,
Bravos leões.

Se a setta falta
Tem outra prompta,
Que a dura ponta
Já mais torcêo.
Ninguem resiste
Aos golpes della:
Marilia bella
Foi quem lha dêo.

Ah! não sustente
Dura peleija,
O que deseja
Ser vencedor.
Fuja, e não olhe,
Que só fugindo
De hum rosto lindo,
Se vence Amor.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra X
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-x--tomas-antonio-gonzaga-d5f9e2
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra X», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-x--tomas-antonio-gonzaga-d5f9e2.html

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