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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra VII

portugués

Tu, formosa Marilia, já fizeste
Com teus olhos ditosas as campinas,
Do turvo Ribeirão em que nasceste:
Deixa, Marilia, agora
As já lavradas terras;
Anda affoita romper os grossos mares,
Anda encher de alegria estranhas terras.
Ah! que por ti suspírão
Os meus saudosos lares.

Não corres como Sapho sem ventura
Em seguimento de hum cruel ingrato,
Que não sede aos encantos da ternura:
Segues a hum fino amante,
Que a perder-te morria.
Quebra os grilhões do sangue, e vem, ó bella;
Tu já foste no Sul a minha guia.
Ah! deves ser no Norte
Também a minha Estrella.

Verás ao Deos Neptuno socegado
Aplainar co' tridente as crespas ondas;
Ficar como dormindo o mar salgado.
Verás, verás d' alheta
Soprar o brando vento,
Mover-se o léme, disrinzar-se o linho,
Seguirem os Delfins o movimento,
Que leva na carreira
O empavezado pinho.

Verás como o Leão na prôa arfando
Converte em branca espuma as negras ondas
E as talha, e corta com murmurio brando.
Verás, verás Marilia
Da janella dourada,
Que huma comprida estrada representa
A linfa cristalina, que pizada
Pela poupa que foge
Em borbotões rebenta.

Bruto peixe verás de corpo immenso,
Tornar ao torto anzol depois de o terem
Pela rasgada boca ao ar suspenso:
Os pequenos peixinhos
Quaes passaros voarem:
De toninhas verás o mar coalhado,
Ora surgirem, ora mergulharem,
Fingindo ao longe as ondas
Que fórma o vento irado.

Verás que o grande monstro se apresenta
Hum repuxo formando com as aguas,
Que ao ar espalha da robusta venta.
Verás em fim, Marilia,
As nuvens levantadas
Humas de côr azul, ou mais escuras,
Outras de côr de rosa, ou prateadas
Fazerem no Orizonte
Mil diversas figuras.

Mal chegares á foz do claro Téjo,
Apenas elle vir o teu semblante
Dará no léme do baixel hum beijo.
Eu lhe direi vaidoso:
Não trago, não comigo
Nem pedras de valor, nem montes d'ouro,
Roubei as aureas Minas, e consigo
Trazer para os teus cofres
Este maior Thesouro.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra VII
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-vii--tomas-antonio-gonzaga-cd3828
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra VII», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-vii--tomas-antonio-gonzaga-cd3828.html

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