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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra V

portugués

Os mares, minha bella, não se movem;
O brando Norte assopra, nem diviso
Huma nuvem sequer na Esfera toda,
O destro Nauta aqui não he preciso;
Eu só conduzo a náo, eu só modéro
Do seu governo a roda.

Mas ah! que o Sul carrega, o mar se empolla,
Rasga-se a véla, o mastaréo se parte!
Qualquer varão prudente aqui já teme
Não tenho a necessaria força, e arte.
Corra o sabio Piloto, corra, e venha
Reger o duro leme.

Como succede á náo no mar, succede
Aos homens na ventura, e na desgraça:
Basta ao feliz não ter total demencia,
Mas quem de venturoso a triste passa,
Deve entregar o leme do discurso
Nas mãos da sã prudencia.

Todo o Ceo se cubrio, os raios chovem;
E esta alma, em tanta pena consternada,
Nem sabe aonde possa achar conforto.
Ah, não, não tardes, vem, Marilia amada,
Toma o leme da náo, marêa o panno,
Vai-a salvar no porto.

Mas ouço já de Amor as sabias vozes:
Elle me diz que soffra se não morro;
E perco então se morro huns doces laços.
Não quero já, Marilia, mais soccorro,
Oh ditoso soffrer, que lucrar póde
A gloria dos teus braços.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra V
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-v--tomas-antonio-gonzaga-f3e6c8
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra V», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-v--tomas-antonio-gonzaga-f3e6c8.html

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