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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

Lyra II

portugués

Esprema a vil calumnia muito embora
Entre as mãos denegridas, e insolentes
Os venenos das plantas,
E das bravas serpentes.

Chovão raios e raios, no meu rosto
Não has-de ver, Marilia, o modo escrito;
O medo perturbado,
Que infunde o vil delicto.

Pódem muito conheço, pódem muito,
As Furias infernaes, que Pluto move;
Mas póde mais que todas
Hum dedo só de Jove.

Este Deos convertêo em flor mimosa;
A quem seu nome derão, a Narciso,
Fêz d' muitos os Astros,
Qu' inda no Ceo diviso.

Elle póde livrar-me das injurias
Do nescio, do atrevido ingrato povo;
Em nova flor mudar me,
Mudar-me em Astro novo.

Porém se os justos Céos por fins occultos
Em tão tyranno mal me não soccorrem,
Verás então, que os sabios,
Bem como vivem, morrem.

Eu tenho hum coração maior que o mundo.
Tu, formosa Marilia, bem o sabes:
Hum coração, e basta,
Onde tu mesma cabes.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
Lyra II
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-lyra-ii--tomas-antonio-gonzaga-213a5d
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «Lyra II», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-lyra-ii--tomas-antonio-gonzaga-213a5d.html

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