A outra metade
Quando este corpo meu esfacellado
Baixar á leiva humida da cova,
Hão-de os jornaes carpir a infausta nova,
Taxando-me de sabio consumado.
Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a resurgencia d'um Canova,
Que a morta face em marmore renova
Para insculpir meu busto laureado.
E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas phrases nunca vistas:
«Esse genio immortal, rei dos artistas,
«No ceu pede ao Senhor que a outra metade
«Reparta por vossês, ó jornalistas!»