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PoetósferaLa BibliotecaAntónio Pereira Nobre

António Pereira Nobre · Modernismo

Enterro de Ophelia

portugués

Morreu, Vae a dormir, vae a sonhar... Deixal-a!
(Fallae baixinho: agora mesmo se ficou...)
Como padres orando, os choupos formam ala,
Nas margens do ribeiro onde ella se afogou...

Toda de branco vae, n'esse habito de opala,
Para um convento: não o que o Hamlet lhe indicou,
Mas para um outro, horror! que tem por nome Valla,
D'onde jamais saiu quem, lá, uma vez entrou!...

O lindo Por-do-Sol, que era doido por ella,
Que a perseguia sempre, em palacio e na rua,
Vede-o, coitado! mal pode suster a vela...

Como damas de honor, nymphas seguem-lhe os rastros,
E, assomando no céu, sua Madrinha, a Lua,
Por ella vae desfiando as suas contas, Astros!

Leça, 1888.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Pereira Nobre
Título
Enterro de Ophelia
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-enterro-de-ophelia--antonio-pereira-nobre-c1bd5b
Cita recomendada
António Pereira Nobre, «Enterro de Ophelia», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-enterro-de-ophelia--antonio-pereira-nobre-c1bd5b.html

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