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Francisco Palha · Modernismo

Enteada

portugués

Casou segunda vez certo sujeito
que sempre á viuvez torceu a cara.
Deixára-lhe uma filha o velho leito,
e mimo egual o novo lhe offertára.

Quando eu as conheci, uma era forte,
córada, alegre, brincalhona, viva;
pallida a outra, triste, pensativa,
como quem traz em si a dôr e a morte.

Das duas a mais nova, a que é sadía,
a lapis, n'um papel, graciosos traços
d'um corpo de mulher hontem fazia.
No fim as palmas bate, e, erguendo os braços,

«Olha a mamã!» gritou, «De longe basta...
basta vêl-a d'ahi!... Não será ella?»—
Volve-lhe a outra em voz que o sangue gela:
—Agora pinta lá uma madrasta!—

Miserrimos poetas que nós somos!
Por mais inspiração que nos abraze,
por mais phantasiar tomos e tomos
não valem juntos, não, aquella phrase.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Francisco Palha
Título
Enteada
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-enteada--francisco-palha-b9c371
Cita recomendada
Francisco Palha, «Enteada», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-enteada--francisco-palha-b9c371.html

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