Casou segunda vez certo sujeito
que sempre á viuvez torceu a cara.
Deixára-lhe uma filha o velho leito,
e mimo egual o novo lhe offertára.
Quando eu as conheci, uma era forte,
córada, alegre, brincalhona, viva;
pallida a outra, triste, pensativa,
como quem traz em si a dôr e a morte.
Das duas a mais nova, a que é sadía,
a lapis, n'um papel, graciosos traços
d'um corpo de mulher hontem fazia.
No fim as palmas bate, e, erguendo os braços,
«Olha a mamã!» gritou, «De longe basta...
basta vêl-a d'ahi!... Não será ella?»—
Volve-lhe a outra em voz que o sangue gela:
—Agora pinta lá uma madrasta!—
Miserrimos poetas que nós somos!
Por mais inspiração que nos abraze,
por mais phantasiar tomos e tomos
não valem juntos, não, aquella phrase.