Vapor doirando, que me afuma os Lares,
(Porque a Morte os bafeja de contino)
Sôlto de ti relampago divino,
O bem d'ouvir-te, o bem de me chorares
Quasi que irmana desigual Destino:
«Tu de assombros Cantor, (Fébo, ou Tomino)
«Eu Ave, eu órgão de pavor, de azares.»
Níveo matiz d'auriferas arêas ,
Cysne qual Jove outr'ora , e que no alado
Extasi aos Céos a melodia altêas!
Vóz, de que adóro o cântico sagrado,
Vóz, que a dor minha, o Fado meu prantêas!
Dá-me teus sons, e cantarei meu Fado.