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António Feijó · Modernismo

Cleopatra

portugués

Como a concha de nácar luminoso.
Em que Venus surgiu, risonha e nua,
A Galera vogava ao sol radioso
Com a graça d'um Cysne que fluctua.

Soltas ao vento as velas de brocado,
Ao som das Lyras, sobre o rio immenso,
Dos remos d'oiro e de marfim sulcado,
O destino do Mundo ia suspenso!

Como nuvens correndo, as horas passam;
Já se divisa o porto; o sol declina,
E emquanto as velas, marinheiros, cassam,
Ella que um sonho de poder domina,

Deante do espelho, a reflectir, perscruta
Do seu corpo a belleza profanada,
Como o rufião nocturno, antes da lucta,
Examinando a lamina da espada!

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Feijó
Título
Cleopatra
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-cleopatra--antonio-feijo-181f94
Cita recomendada
António Feijó, «Cleopatra», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-cleopatra--antonio-feijo-181f94.html

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