Pois essa luz scintillante
Que brilha no teu semblante
D’onde lhe vem o splendor?
Não sentes no peito a chamma
Que aos meus suspiros se inflamma
E toda reluz de amor?
Pois a celeste fragancia
Que te sentes exhalar,
Pois, dize, a ingenua elegancia
Com que te ves ondular,
Como se baloiça a flor
Na primavera em verdor.
Dize, dize: a natureza
Póde dar tal gentileza?
Quem t’a deu senão amor?
Vê-te a esse espelho, querida,
Ai! vê-te por tua vida,
E diz se ha no ceo estrêlla,
Diz-me se ha no prado flor
Que Deus fizesse tam bella
Como te faz meu amor.