CADA PIEZA VIVE EN UNA DIRECCIÓN · NADA VIVE EN UNA SOLA SALA  

PoetósferaLa BibliotecaAntónio Feijó

António Feijó · Modernismo

Beatitude amarga

portugués

Esqueço-me a admirar os teus olhos profundos
E imagino que estou sentado á beira mar:
Vejo as ondas a erguer-se, archipelagos, mundos,
Naufragios, temporais, mar de leite e de luar...

Medroso, o coração tenta fugir, mas treme:
O abysmo attrae o abysmo! E desvairadamente,
Despenha-se no mar, como um barco sem leme,
D'onda em onda, á mercê do vento e da corrente.

Vejo-o ainda um momento a esconder-se na bruma,
E sinto uma impressão d'angustia e de pesar,
—Seguindo anciosamente o seu rasto d'espuma—
Por suppor que partiu para não mais voltar!

Mas tu falas, e, ao som da tua voz, desperto;
Volto a mim d'esse estranho sonho, a alma perdida,
Com o vago terror e o pensamento incerto
Do naufrago que á praia ainda chegou com vida.

Sigue explorando

Por su autor
António Feijó · 33 piezas más en la casa
Dónde vive
La Biblioteca

← A vocação d'Ibrahim«Cancioneiro Chinez» →

Expediente

Autor
António Feijó
Título
Beatitude amarga
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-beatitude-amarga--antonio-feijo-3ca083
Cita recomendada
António Feijó, «Beatitude amarga», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-beatitude-amarga--antonio-feijo-3ca083.html

Las obras de dominio público se reproducen íntegras, con atribución y en la ortografía de su impreso. ¿Ves una errata o conoces una fuente mejor? Escríbenos desde Sobre la casa.