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PoetósferaLa BibliotecaRaimundo António de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Modernismo

Amanhã!

portugués

Resta um dia, mais um dia,
Algumas horas ainda
De amor, de ternura infinda!
Amanhã nos olhos teus,
Uma lagrima sentida;
Em teus labios, um adeus!

O instante da despedida
Tão perto está!... Minha vida,
Crava teus olhos nos meus,
Um sorriso, um beijo ainda,
Mais um'hora de ternura,
De amor, de alegria infinda
Antes d'esse longo adeus!

Adeus de tanta amargura!
Sabe Deus! oh! sabe Deus,
Quando outros dias virão,
Tão gratos ao coração!
Quando nessa face linda
Verei sorrir a ventura;
Mas agora um beijo ainda
Antes que chegue o momento
De soltar o extremo adeus!

Oh! tira do pensamento,
A hora da despedida;
Mais um instante de vida,
De delicia e gloria infinda!...

Amanhã!... ai! não te lembres
De tal dia de amargura!
Crava teus olhos nos meus;
Inda um'hora de ventura,
De amor, de alegria infinda
Sorrindo nos olhos teus:
Um beijo, mais outro ainda,
O derradeiro: oh! adeus!

Abril de 1857.

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Expediente

Autor
Raimundo António de Bulhão Pato
Título
Amanhã!
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-amanha--raimundo-antonio-de-bulhao-p-e2d969
Cita recomendada
Raimundo António de Bulhão Pato, «Amanhã!», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-amanha--raimundo-antonio-de-bulhao-p-e2d969.html

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