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PoetósferaLa BibliotecaAntónio Feijó

António Feijó · Modernismo

A ventura

portugués

A Ventura, de vãos e ephemeros sorrisos,
Nunca, em alto lavor,
Nos meus versos deixou cariatides ou frisos
De que ella fôsse o alacre e luzido esculptor.

Trouxe-a um dia, illudida, a minha Noiva, quando
No meu lar se installou;
A Musa, deslumbrada, emmudeceu, sonhando,
E d'amor nunca mais um só verso rimou.

Mas d'essa adoração em que vivia absorta,
Um dia, ao despertar,
Viu que tinham levado a minha Noiva morta,
E d'angustia chorou, na angustia do meu lar.

Chorou... Sempre que a dor nos empolga e sacode
Como um arbusto ao vento,
Nenhuma forma d'arte em eloquencia pode
Egualar a expressão d'um grito ou d'um lamento.

Chorou... E desde então, a Musa dolorida
Vive numa anciedade
A ouvir a minha dor no seu canto escondida,
Mansamente, a chorar, como chora a saudade...

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Feijó
Título
A ventura
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-ventura--antonio-feijo-891641
Cita recomendada
António Feijó, «A ventura», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-ventura--antonio-feijo-891641.html

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