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Antero de Quental · Modernismo

A um crucifixo

portugués

Ha mil annos, bom Christo, ergueste os magros braços
E clamaste da cruz: ha Deus! e olhaste, ó crente,
O horizonte futuro e viste, em tua mente,
Um alvor ideal banhar esses espaços!

Porque morreu sem eccho o eccho de teus passos,
E de tua palavra (ó Verbo!) o som fremente?
Morreste... ah! dorme em paz! não volvas, que descrente
Arrojáras de nova á campa os membros lassos...

Agora, como então, na mesma terra erma,
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,
Sob o mesmo ermo céo, frio como um sudario...

E agora, como então, viras o mundo exangue,
E ouviras perguntar—de que servio o sangue
Com que regaste, ó Christo, as urzes do Calvario?—

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Antero de Quental
Título
A um crucifixo
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-um-crucifixo--antero-de-quental-3b7654
Cita recomendada
Antero de Quental, «A um crucifixo», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-um-crucifixo--antero-de-quental-3b7654.html

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