CADA PIEZA VIVE EN UNA DIRECCIÓN · NADA VIVE EN UNA SOLA SALA  

PoetósferaLa BibliotecaAntónio Cândido Gonçalves Crespo

António Cândido Gonçalves Crespo · Modernismo

A negra — Ao dr. A. A. Da Fonseca Pinto

portugués

Teus olhos, ó robusta creatura,
Ó filha tropical!
Relembram os pavôres de uma escura
Floresta virginal.

És negra sim, mas que formosos dentes,
Que perolas sem par
Eu vejo e admiro em rubidos crescentes
Se te escuto fallar!

Teu corpo é forte, elastico, nervoso.
Que doce a ondulação
Do teu andar, que lembra o andar gracioso
Das onças do sertão!

As languidas sinhás, gentis, mimosas,
Desprezam tua côr,
Mas invejam-te as formas gloriosas
E o olhar provocadôr.

Mas andas triste, inquieta e distrahida;
Foges dos cafesaes,
E no escuro das mattas, escondida,
Soltas magoados ais...

Nas esteiras, á noite, o corpo estiras
E, com ancias sem fim,
Levas aos seios nús, beijas e aspiras
Um candido jasmim...

Amas a lua que embranquece os mattos,
Ó negra jurity!
A flôr da laranjeira, e os niveos cáctos
E tens horrôr de ti!...

Amas tudo o que lembre o branco, o rosto
Que viste por teu mal,
Um dia que sahias, ao sol pôsto,
De um verde taquaral...

Sigue explorando

Por su autor
António Cândido Gonçalves Crespo · 35 piezas más en la casa
Dónde vive
La Biblioteca

← A morte de D. Quichote — Ao Conde de SabugosaA nuvem — De Th. Gauthier →

Expediente

Autor
António Cândido Gonçalves Crespo
Título
A negra — Ao dr. A. A. Da Fonseca Pinto
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-negra-ao-dr-a-a-da-fonseca-pinto--antonio-candido-goncalves-cr-e77329
Cita recomendada
António Cândido Gonçalves Crespo, «A negra — Ao dr. A. A. Da Fonseca Pinto», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-negra-ao-dr-a-a-da-fonseca-pinto--antonio-candido-goncalves-cr-e77329.html

Las obras de dominio público se reproducen íntegras, con atribución y en la ortografía de su impreso. ¿Ves una errata o conoces una fuente mejor? Escríbenos desde Sobre la casa.